Sintetizando: A Mão Esquerda da Escuridão – Ursula K Le Guin

Saudações, meus queridos leitores nerds!

ursula_k_le_guinHoje eu trago para vocês o título: A Mão Esquerda da Escuridão, da premiada escritora norte-americana Ursula K. Le Guin. “Ursula é uma das escritoras de ficção científica e fantasia mais proeminentes do mundo e vencedora de cinquenta prêmios literários.”

A mão esquerda da escuridão é um livro classificado como ficção científica suave, com seu foco voltado às questões humanas, sem aquela grande quantidade de termos técnicos e tecnologias em si, que torna a leitura um pouco mais complexa e traz um certo preconceito ao gênero literário.

Logo no início do livro tem uma introdução da escritora que ajuda a desmistificar a ficção científica, argumentando que o escritor do gênero não tem a intenção de prever o futuro, mas sim trazer à tona uma reflexão sobre determinado tema. Nas palavras da própria Ursula: “Descrevo certos aspectos da realidade psicológica à maneira do romancista, que é inventando mentiras elaboradas e circunstanciais (…) Toda ficção é metáfora.”

Sinopse:

      Genly Ai foi enviado a Gethen com a missão de convencer seus governantes a se unirem a uma grande comunidade universal. Ao chegar no planeta Inverno, como é conhecido por aqueles que já vivenciaram seu clima gelado, o experiente emissário sente-se completamente despreparado para a situação que lhe aguardava. Os habitantes de Gethen fazem parte de uma cultura rica e quase medieval, estranhamente bela e mortalmente intrigante. Nessa sociedade complexa, homens e mulheres são um só e nenhum ao mesmo tempo. Os indivíduos não possuem sexo definido e, como resultado, não há qualquer forma de discriminação de gênero, sendo essas as bases da vida do planeta. Mas Genly é humano demais. A menos que consiga superar os preconceitos nele enraizados a respeito dos significados de feminino e masculino, ele corre o risco de destruir tanto sua missão quanto a si mesmo.

Lendo a sinopse podemos pensar erroneamente que o livro aborda “apenas” o aspecto de identidade de gênero, um tema tão atual, apesar da data de publicação da obra. É uma leitura que vai além, que alimenta discussões não somente sobre a discriminação sexual, mas sobre cultura, política, preconceito e relações humanas.

Michael Moorcock afirmou: “Tão profuso e original em sua inventividade quanto O Senhor dos Anéis.”. Isso pode parecer exagero, mas a riqueza do universo retratado neste livro encanta tanto quanto. Embora possuam estilos e escritas diferentes, ambos nos apresentam a um mundo novo, uma nova realidade, acrescida de detalhes que somente um bom escritor saberia descrever.

Achei o começo do livro um pouco lento. Não porque a escritora pecou em excessos, mas simplesmente por ser uma narrativa um pouco diferente. Você tem que se habituar aos termos, personagens e características. E também gastei um tempo construindo a imagem dos personagens de Inverno em minha cabeça. (Uma mania minha!)

Mais adiante na história, alguns acontecimentos vão levar dois personagens a viver uma aventura, e então a narrativa vai sendo alternada entre os dois pontos de vista, com algumas histórias ou contos locais introduzidos nesse percurso. De início pode parecer que essas histórias não têm importância, mas no desenrolar dos fatos vocês vão acompanhando as peças sendo encaixadas e construindo uma das mais incríveis histórias que já li.

A Mão Esquerda da Escuridão nos faz refletir muito, e traz, com uma certa delicadeza e uma profunda visão antropológica, questões a respeito das relações humanas e como a cultura influencia tão fortemente uma sociedade. Insisto que leiam essa maravilhosa obra da Ursula Le Guin, e venham comentar aqui o que acharam.

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Até a próxima!

23 comentários em “Sintetizando: A Mão Esquerda da Escuridão – Ursula K Le Guin

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  1. Oi, como você está? 🙂

    Você tem razão; quando se lê a sinopse eu imaginei que o livro se resumiria a falar sobre identidade de gênero, mas achei interessante que a autora conseguiu inserir mais aspectos nesse livro. Confesso que não sei se o leria, não parece fazer parte da minha zona de conforto literária sabe?
    No entanto isso não tem nada a ver com sua resenha que ficou bem escrita! ^^

    Beijos! ;*

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  2. Estou pegando gosto pela ficção científica exatamente pela possibilidade de extrapolar outras questões. Não apenas conceitos tecnológicos e sim seu envolvimento com questões sociais e demais campos de estudo. Titulo com certeza anotado em minha lista de compras

    Curtido por 1 pessoa

  3. Que resenha incrível, tanto quanto o livro parece ser!
    Eu já tinha ouvido falar desse livro da Úrsula e quero ler faz tempo, vou colocar bem no topo da minha lista de desejos para me lembrar o quão fenomenal ele é! ❤
    A discussão é tão atual e, ao mesmo tempo, tão antiga. Quero muito conhecer a obra.
    xoxo

    Curtido por 1 pessoa

  4. Olá!!!

    Já ouvi falar nesse livro no canal da Tati Feltrin e desde então sou louca para ler, mas por falta de oportunidade ainda não realizei essa leitura, espero esse ano conseguir. Fico feliz que apesar da lentidão no começo você passou a gostar da história, isso me anima em querer ler rápido. Parabéns pelo post adorei a forma que escreveu!!

    Beijos!!

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