Sintetizando: 13 Reasons Why – 13 Razões para assistir

Saudações, meus queridos nerds!

Nos últimos dias, os sites de notícia, blogs e redes sociais foram invadidos por uma série original Netflix: 13 Reasons Why. Eu terminei de assistir à série, e preciso dizer porque eu acho que todos deveriam assistir.

Hannah Baker cometeu suicídio, mas antes disso a adolescente gravou fitas de áudio revelando os motivos, ou eventos, que a levaram a tomar essa essa decisão. Cada um dos responsáveis por estes eventos recebe as fitas, a seu tempo, conforme a sequência dos fatos. Nesta lista está Clay Jensen, um garoto que era apaixonado por Hannah, e sofre a cada relato da adolescente.

13 Reasons Why aborda temas polêmicos como o bullying, machismo e estupro. Ela inicia com eventos que podem ser considerados bobos, uma brincadeira de mau gosto, uma mentira “inocente” sobre alguém, e silenciosamente este monstro vai crescendo, se alimentando de atitudes egoístas e maldosas e enfraquecendo cada vez mais a sua vítima.

Precisamos falar sobre esses assuntos, precisamos nos questionar sobre nossas ações, e por isso eu listei 13 motivos pelos quais você deveria assistir:

O TEXTO A SEGUIR NÃO POSSUI SPOILERS, MAS FALA SOBRE OS ASSUNTOS TRATADOS NA SÉRIE. SE ISSO TE INCOMODA, ACONSELHO QUE NÃO CONTINUE A LEITURA.

  1. Precisamos falar sobre o bullying. Bullying não é bobagem, não é apenas uma brincadeirinha, não é inofensivo. É uma agressão! É perigoso, e pode definir o futuro de quem sofre as agressões.
  2. Cyberbullying também existe. É um tipo de violência praticada contra alguém através da internet ou de outras tecnologias relacionadas. Praticar cyberbullying significa usar o espaço virtual para intimidar e hostilizar uma pessoa (colega de escola, professores, ou mesmo desconhecidos), difamando, insultando ou atacando covardemente.
  3. O machismo enraizado na sociedade. Durante os episódios nos deparamos com diversas atitudes machistas, como a objetificação da mulher. Nessa situação, inclusive Clay, que demonstra ser um bom garoto não consegue entender por que a menina se sente ofendida com alguns “elogios” sobre ela em uma lista, criada pelos garotos, com as “qualidades físicas” das garotas da escola. Esse é pensamento de que a mulher gosta de ser tratada assim, que não há mal nenhum em um simples elogio, que ela deveria agradecer por notarem algo no seu corpo e saírem comentando por aí.
  4. O papel dos educadores. A escola deveria estar atenta à essas atitudes, impedindo que este tipo de agressão continue. Mas tanto na série, quanto na vida real, tudo é levado como interação normal entre os jovens, e não como o caminho para uma tragédia.
  5. Relação pais e filhos. Por mais amorosos que os pais de Hannah possam parecer, eles se mostram presos aos seus problemas financeiros e não dando a atenção que a menina queria. Obviamente que este é o relato de Hannah, mas quantas vezes esse não é um problema real, que atinge milhares de famílias? Jovens não costumam se comunicar abertamente com os pais, mas até onde isso deve ser considerado normal?
  6. A importância dos amigos. Hannah se sentia solitária, sem ter com quem contar, com quem conversar. Ela sentia que não era importante na vida das pessoas, e que chegava a ser um problema. Uma pessoa solitária tem mais chances de desenvolver depressão.
  7. Assédio é um assunto sério. Não é um elogio, nem uma brincadeira, uma fofoca inocente, um boato. Assédio não é apenas físico, o que você fala sobre uma pessoa pode destruí-la. Assédio moral também existe, e você já pode ter praticado algumas vezes.
  8. Nem tudo é drama adolescente. O estereótipo de adolescente isolado, que vive em crise existencial, e acredita que está em uma luta contra o mundo não deve ser levado como uma piada. Nem tudo é drama, nem tudo são os hormônios, nem tudo é uma fase. Observe.
  9. Depressão não é frescura. Embora seja um mal comum na nossa sociedade, a depressão ainda é levada como uma frescura, preguiça, uma vontade de chamar atenção. Mas a depressão é uma prisão. Ela te limita, te oprime, te enfraquece, e sem ajuda dificilmente você sairá dela.
  10. Empatia. Hannah quis mostrar à todos o seu ponto de vista. Expor os sentimentos que ela guardava, e o quanto todas aquelas atitudes impactaram em sua decisão de desistir da vida. Se as pessoas trabalhassem a capacidade de se colocar no lugar do outro, muitas dessas agressões seriam evitadas. Nós aprendemos que não devemos fazer ao outro aquilo que não desejamos a nós mesmos. Mas nós praticamos isso?
  11. A cultura do estupro. Outro assunto sério tratado na série. Até quando a vítima será a culpada pela agressão? Até quando mulheres serão estupradas porque “pediram”? Até quando essas frases serão comuns? “Ela disse que não, mas eu sei que ela queria.” Não, ela não queria. “Se vestindo assim, ela estava pedindo.” Não, não estava. Nada te dá o direito de fazer ao outro aquilo que ele não quer.
  12. Prevenção ao suicídio. 13 Reasons Why incentivou diversos movimentos em prevenção ao suicídio e ao bullying. As pessoas precisam saber que não estão sozinhas, que vale a pena viver.
  13. Não seja um porquê. Com tudo isso, o que eu digo é: Repense as suas atitudes. Se coloque no lugar do outro. Infelizmente existem mais pessoas sendo porquês do que sendo Hannahs. Não seja um agressor. Não seja um porquê

A série trouxe à tona assuntos sérios que devem ser discutidos com maior frequência, e eu acho que tanto pais, quanto filhos e até mesmo educadores precisam assistir. Não é uma série perfeita, nem a melhor dos últimos tempos. Mas trata de questões importantes de maneira sensível e tocante.

Lembre-se: vale a pena viver!

Até a próxima.

3 comentários em “Sintetizando: 13 Reasons Why – 13 Razões para assistir

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  1. Eu amei 13 reasons why, praticamente devorei os episódios. Acho que o seu post disse tudo o que eu pensava sobre o seriado e a situação de Hannah. E tem uma frase que foi dita na série que me marcou muito. Não lembro o personagem que a diz, mas ele falou que aquilo que a Hannah passou não é diferente do que toda garota passa no ensino médio. E eu fiquei pensando no quanto deixamos passar batido algumas coisas que não deveriam passar batidas, pelo simples fato de acharmos normal. E é aí que reside o problema. Temos o costume de achar normal comportamentos que na verdade são absurdos. Lembro que quando tava na escola, na sexta série, os meninos começaram com a mania de bater na bunda das meninas, na minha escola. Nenhuma gostava, mas nenhuma reclamava. Depois disso, nas outras duas escolas que estudei, já no ensino médio, ouvi relatos de amigas dizendo que o funcionário da escola – veja bem era uma escola católica – passava a mão nelas nas viagens de turma, ou às vezes o próprio professor – já em outra escola. Nenhuma reclamava. E a única que reclamou da primeira e única vez que aconteceu, os pais disseram: avisa se acontecer de novo, se acontecer daí a gente reclama. E eu me pergunto, porque não reclamar na primeira vez? Mesmo que tenha acontecido só uma vez, não diminui a gravidade do caso. E às vezes a própria escola faz vista grossa em casos de abuso, mesmo que seja psicologico,e bullying.

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